No centro do Isolamento
Quinta-feira, 29 de Abril de 2004
Teorias de Mim
Não sei porque insisto escrever
Só porque quero apressar a leitura
Dos pensamentos forçados
Que não possuo em clausura.
São coisas que não são minhas
Esculturas sob pressão, imperfeitas
Palavras que escrevo em ganância, pela pressão
Só p’ra me ver de mãos cheias.

O meu corpo estreita
E maior o esforço sobre-humano em mim.
Torno-me pedestal oco e frágil
Roído pela irresponsabilidade.
Uma térmita cínica e estúpida
Que tira ao suporte e sobrecarga o fardo

Venho cavando um túnel em mim
Numa espiral labiríntica, a angústia e o desespero
De um negativismo que não reconheço meu.
São mais fantasmas que exorcizo
Faces minhas, diamante em bruto
O fim do pensamento conscrito
Ao amo conciso e unilateral.
Sou uma mina interminável
De ar rarefeito, venenoso, sufocante
Mas será mais a surpresa do que sou,
Das coisas que não julgava ser.

Muitas vezes o que escrevo são definições minimalistas de mim
Quando faço do meu circo diário uma arena de narciso.
Quererei eu compensar nas letras o gigante que engrandeço
Com a pequenez que descarrego em poesia,
O rótulo minguante do meu ser?

Não é esta a vida que quero
Sinto que não estou cá,
Não devia sequer estar aqui
A olhar quem se encontrou ou resignou.


publicado por V. Pimenta às 15:01
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Primavera
A minha cabeça implode
Tanta é a alegria à volta
Uma maresia quente de riso à solta
De uma gente alucinada no pagode.
O calor ferve-lhes o sangue e a alma
E alucinam, atordoados na soneira
Convulsos gestos que ninguém acalma
Como a querer mostrar a face verdadeira.

São felizes sazonais
Quando as gónadas se impõem
Na ditadura, livres e sensuais.


publicado por V. Pimenta às 14:20
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Quinta-feira, 22 de Abril de 2004
(Av.central na minha mente)
Sopro de vida em meu monótono caminho
Pensar nos quadros que me surgem no percurso
O cinzento homogéneo do céu e do chão de pedra
E o meu rosto enraizado de um cabelo cor de erva.

Ar puro, ver o mar de gente e sombras dela
O quadro perfeito, a seca tinta na cinzenta tela
Sombrias almas em corpos dormentes
Já se deixavam morrer alguns deles
Sob a chuva, mágoas correntes…



publicado por V. Pimenta às 16:19
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Sábado, 10 de Abril de 2004
Ode
Descanso efémero
Abraço de luxúria
Que sustentas a insane e imatura
Mente possessa...
Esvai-se a noite na promessa
De te beijar com gosto
E a tua mão sobre o meu rosto
Ampara a difícil descoberta...
Riem-se os demais olheiros
Do teatro que montamos, dementes
Riem-se com todos os dentes
No gargalhar cúmplice de interesseiros...
Sabemos os dois...
Do carinho que trazias em teus dedos
Mão que me afugentou os medos
E nos tornou amantes, heróis...


publicado por V. Pimenta às 03:39
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Domingo, 4 de Abril de 2004
Tigre

el tigre.jpg






 


 


A selva de pedra é o meu nicho


Lugar de caça


Onde procuro a carne putrefacta


Tenra no meu sedento instinto


E nem me interessa o que sinto


Desde que na minha boca a desfaça.


 


Deixo para trás um trilho de sangue


Atalho na minha animal cegueira


De me pôr farto no desperdício


E vou matando de qualquer maneira


Os que me confrontam no vício.


 


Mas sofro nas estações secas


Quando a fome é postura


O vaguear penitente da loucura.



publicado por V. Pimenta às 23:56
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Sexta-feira, 2 de Abril de 2004
(...Jericó...)
Estou a erguer um castelo
Nos alicerces de teus cabelos
Muralha firme e envergonhada
Que desaba.
Cedo em fendas
Sob o som de trombetas de êxtase
E treme a cidade perdida em meu coração
Na ambiguidade, protegido e vulnerável
Entre o instinto e a razão.


publicado por V. Pimenta às 18:23
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Pensamentos próximos e distantes
Seguro uma espada de dois gumes
Que me corta as mãos em sangue.
Inseguro no golpe
Só me vejo a morrer na hemorragia

***

As Igrejas tornam-se titãs de pedra
O casario, mausoléus de gigantes
E perco-me no labirinto das juntas na calçada
Diminutivo de uma amostra de homem


***

Não tenho jangada nem madeira que a faça
E me leve daqui, tísico na alma
Preso na ressaca da minha inconstância
Isolado no meio de todos
Na claustrofobia da circunstância


***

E de repente se enche de cores
O vazio negro da minha mente
Que crescia na penumbra da demência
Agora, a loucura da falta de gente
Se resume ao delírio em tua ausência


publicado por V. Pimenta às 18:06
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