No centro do Isolamento
Terça-feira, 27 de Janeiro de 2004
Longas caminhadas

Longas caminhadas


Contam as minhas pernas


Pois a noite foi farta em tempo.


Se as trevas são meu alimento,


Ou o orvalho sobre as ervas,


Quedo-me por aqui


Pois a manhã nunca é minha


Sou dela mamífero ibernento.


Recuso a aurora como começo,


Vendo-a como fim da jornada


Pois até lá galguei a estrada


Em busca do insossego


Que não me deixa ser normal


Pois a enxada laboral


Cobre-me as mãos de calos.


Quem me dera poder tratá-los


E deixar-me dormir como toda a gente


Mas se quero ser diferente


Tenho de despertar enquanto eles adormecem



publicado por V. Pimenta às 16:27
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1 comentário:
De Anónimo a 30 de Janeiro de 2004 às 22:00
De todos o que mais gostei!
Absolutamente fantástico!E a borracheira tabém devia ser bonita...LiliCROFT
</a>
(mailto:lilicroft@hotmail.com)


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